O vício da Escrita.


 

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Algo bastante curioso é o fato de sempre me questionar acerca do “porque escrevo?” Muitas coisas me vem a cabeça!! Penso que ainda são muito poucos os que se dão a ler no Brasil, que até leem bastante postagens de redes sociais mas ainda assim não conhecem quase nada acerca da literatura brasileira e de seus tantos artistas que trazem a magia de seus escritos para nós. Penso o incômodo que me gera perceber que não li nem 10 livros por ano e penso como escritor a dificuldade que é ter que se sujeitar às desagradáveis condições que as editoras nos impõe para adentrarmos no mercado editorial brasileiro.

Muitas coisas permeiam minha mente quando penso nisso, e por vezes até achei que não iria levar este ofício à cabo, no entanto, quando penso em tudo isso existe algo que prevalece em meu imaginário…uma lembrança longínqua da época em que tinha meus quatorze anos e já fazia meus primeiros diários com as impressões de mundo e vida, algo que mantenho até os dias de hoje inclusive.

Naquela época me lembro de estar eu numa festa desta de adolescentes, e apesar de não me recordar quem era o aniversariante, me lembro ser a mesma regada a muito pagode e com umas músicas que definitivamente eram bem mais para adultos do que para nós que não passávamos de fedelhos. A festinha aconteceu em Olinda, que mesmo não sendo a mesma do nordeste também tem seus encantos como todo bairro de subúrbio e da baixada. O acontecimento que ilustra este post por fim só se deu no final da comemoração, quando todos os meninos presentes (incluindo eu mesmo e meus primos Wagner e Lucildo) pareciam estar rodeando a menina que como diria meu colega Kadu era “a fêmea alpha” local, ou seja, a mais bonitinha da festa. Como naquela época ainda não existiam as famosas redes sociais tal como foi o falecido orkut e o hoje famigerado facebook, perguntei à moçoila se poderia lhe escrever uma carta, algo que pelo seu semblante de surpresa me fez perceber que foi de seu agrado, e a mesma me cedeu seu endereço completo em um pedaço de guardanapo.

Logo após o ocorrido, me lembro da pergunta que meu primo Lucildo me fez no caminho de volta para casa “vem cá, porque você pegou o endereço dela?”, e eu de pronto respondi “para lhe escrever uma carta!!” e meu primo então me disse uma das coisas que me inquietou durante anos a fio “não sei porque você fez isso, você não é escritor!!” Passei alguns dias de minha vida me perguntando se eu era ou não escritor, ou mesmo se era preciso ser só um escritor para me comunicar com as pessoas via o uso da escrita para muitos arcaica de cartas ou toda a ortodoxia dos livros físicos. Nas primeiras saídas ainda como marinheiro surgiram os primeiros diários de viagem e os posteriores diários de outras viagens que faço até hoje e onde não deixo de registrar minhas impressões acerca dos lugares e culturas que conheço. Obviamente que naquela fase eu tinha idéias e as colocava em papel e mesmo não tendo uma obra – como ainda hoje não tenho – em um dado momento quando percebi ter a capacidade de criar e pude vislumbrar meu primeiro conto de seis páginas saído de minha mente e de minha vontade de trazer o mesmo à vida pensei “Sim, eu sou um escritor, e não há vício melhor que o da escrita!!”

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