CAMINHOS QUE FALAM

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FOTO: Elieser Borba    LOCAL: Estação BRT Campinho/Madureira

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O LIVRO DO MÊS: CLARICE LINSPECTOR – JORNALISMO

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Morei no Leme por pouco mais de sete anos e fui três vezes privilegiado por isso: porque vivi no Morro da Babilônia e pude ter contato com a realidade da favela, porque ali também vivi no “asfalto” e tive contato com o paralelismo entre esse e o local de minha primeira morada no bairro e por ter caminhado nos mesmos locais onde num outro tempo os pés de Clarice Linspector se fizeram passar.

O livro “Clarice na Cabeceira: Jornalismo” pode ser classificado como tudo, menos por ser diferente. Os leitores desta que foi uma das mais expressivas escritoras do Brasil e que estão habituados à sua forma de escrita poderão observar tudo isso neste trabalho que conta com um que maior do que seus escritos de ficção. Aqui passeamos desde seus primeiros textos na imprensa, pequenos contos, artigos para jornais, revistas, páginas femininas e até entrevistas que ela realizou com diversas pessoas como: Tom Jobim, Maysa, Elke Maravilha, Rubem Braga, Nelson Rodrigues entre outros.

Mas do que apenas uma boa leitura, este livro é certamente um trabalho que educa, que abre nossos olhos – socialmente falando – e que nos mostra que alguns processos de outrora nada mais são do que processos de agora na fala de uma mulher que naquele tempo, como muitos brasileiros, tinha a ideia do “que será” um dia entoado na canção do poeta poderia ser diferente, do que infelizmente ainda não é.

“BRASÍLIA: CINCO DIAS” – Janeiro de 1963

“Brasília é artificial, tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado […] foi construída sem lugar para ratos. Toda uma parte nossa, a pior, exatamente a que tem horror a ratos não tem lugar em Brasília […] há alguma coisa aqui que me dá medo. O medo sempre me guiou para o que quero e porque eu quero eu temo e o medo me leva ao perigo” Clarice Linspector