CAMINHOS QUE FALAM

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FOTO: Elieser Borba    .    LOCAL: Botafogo – RJ

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O ABUSO “NOSSO” DE CADA DIA.

            

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FOTO: Weeb

        O ano era 2007, mais precisamente novembro. Eu estava recém-saído da Marinha do Brasil após alguns anos de serviço prestado como “Defensor dos interesses dos brasileiros no mar”, ou pelo menos é isso que pensam os cívis que no oposto do que sabem nem imaginam como a não seriedade das forças armadas brasileira beira o absurdo. Eu mesmo saí apenas com o salário que recebi no mês que fui desligado, com “uma mão na frente e a outra atrás” literalmente!!

         Nunca deixei de estudar, e sem muita perspectiva intensifiquei isso para tentar uma vaga na Universidade Pública. A grana era praticamente nula, e recém divorcidado do primeiro casamento retornei para “a casa da mamãe”. Sentimento bom de saber que tinha o suporte de uma família de recursos sempre escasos mas transbordante em amor e empatia, contudo, para além do peso dos livros surrados que levava na mochila a caminho da Biblioteca Pública também carregava muita mágoa e apreensão em relação ao futuro e o que ele me reservava.

         Intercalava os estudos em casa, com a biblioteca, a ajuda aos meus velhos e a busca por atividades que me gerassem algum ganho financeiro. E numa sexta-feira ao abrir o jornal vi um anúncio que pensei ser a possibilidade perfeita de conseguir um trabalho:

PRECISA-SE DE AUXILIAR DE ESCRITÓRIO COM EXPERIÊNCIA COMPROVADA PARA TRABALHAR MEIO PERÍODO EM PRODUTORA EM IPANEMA . PRÓXIMO À PRAÇA GENERAL OSÓRIO

         Fui auxiliar de escritório durante um longo período na Volkswagen. Esta seria a oportunidade perfeita de seguir com os estudos e ter um trabalho para tocar a vida. Liguei e marquei a entrevista para o mesmo dia às 16hs. Cheguei na Praça General Osório pouco antes do horário da entrevista com folga para caminhar dali até o escritório que ficava num apartamento na Rua Barrão da Torre. Não me recordo o andar e o número, mas me desloquei até a cobertura onde a secretária do solicitante da vaga de trabalho me atendeu à porta.

         O apartamento – particular – era desses que faz pessoas se perderem quando vão ao banheiro de tão imenso. O que mais me chamou a atenção além de uma action figure do Aquaman em tamanho gigante foi a vista do local de onde era possível ver o mar de Ipanema através de uma janela panorâmica. A tal secretária me levou até uma sala bastante ampla onde três pessoas aguardavam sentadas num sofá: Um rapaz meio ripster, uma moça negra muito magra com cabelo Black Power e um homem que parecia mais velho que o restante de nós. Alguns minutos após eu me acomodar uma porta corrediça em frente a nós se abriu. Uma moça deixou o recinto seguida por um homem loiro, de olhos azuis e estatura baixa, o responsável pela Produtora. Observei o momento em que seu olhar me encontrou.

        – Você foi o último a chegar? Me perguntou ele.

        – Sim!! Respondi de pronto.

        – Bom, melhor assim que após sua entrevista não preciso falar com mais ninguém e finalizamos com um pouco mais de tempo e sem pressa.

        Ainda me recordo do olhar que a moça negra me lançou. Naquela época eu ainda estava longe de ser ativista e dotado da consciência crítica que me tornaria tempos depois, mas ela me lançou um olhar que me dizia bem mais do que estar somente preocupada com meu potencial como concorrente de lhe tirar a vaga de trabalho. Minha espera foi de pelo menos quase uma hora até que o último candidato saísse do escritório, e após isso ocorrer era então a minha vez.

        O homem me chamou e entrei no recinto que era um pouco menor que a sala de espera. Nos muitos quadros ornamentando as paredes era possível observar que ele trabalhava para o meio artistico brasileiro, tendo em vista a quantidade de cantores, cantoras, atores e atrizes junto ao mesmo nas fotografias. Ele não se sentou do outro lado à ampla mesa em minha frente, mas trancou a porta, colocou a chave em seu bolso, puxou uma banqueta e sentou–se ao meu lado repousando a mão esquerda em minha perna direita.

         Levei um susto e puxei minha cadeira para trás. Ele me disse para não me assustar mas que queria muito “chupar meu pau” desde que me viu na sala de espera. Em determinada época de minha vida achava que só mulheres eram assediadas de forma nojenta. Muito embora eu tivesse passado por diversas situações onde mulheres de pé nos ônibus encaixavam suas vaginas em meu ombro enquanto eu estava sentado à ponto de me deixar molhado e com a roupa manchada eu ainda não tinha passado por algo parecido em relação a alguém do mesmo sexo.

         – Olha, relaxa. Eu te prometo que se você me deixar te chupar a vaga de trabalho é tua!!!

         Mesmo precisando demais do trabalho em momento algum me imaginei deixando aquele homem realizar tal feito. Do contrário começei a imaginar uma forma de sair do local. Contudo, a sala só tinha uma porta de entrada e saída que ele havia trancado e estava de posse da chave. Disse pra ele que queria ir embora e que era pra ele abrir a porta imediatamente. Era possível ouvir o som de pessoas para além de sua secretária nos outros cômodos da casa. Elevei o tom de minha voz, mas ainda assim nada acontecia. Ele não cedia e as pessoas no outro lado pareciam estar alheias ou se fazerem alheias à situação. O telefone tocou:

        – Alô!! Sim, é da Produtora de Eventos mas a vaga já está preenchida.

        O homem disse isso e piscou para mim dando à entender que seria fiel à sua palavra.

        – Eu sei que você não está à vontade, mas olha à sua volta. Está vendo essas mulheres maravilhosas nas fotos? Eu posso ligar pra quaisquer uma delas e botar aqui na tua frente agora. Daí depois que você ficar excitado eu te chupo!!

        Aquilo para mim foi a gota d’àgua. Levantei e gritei alto para ele abrir a porta arremessando a cadeira longe dentro da sala. Nesse momento ouvi o som da porta se abrir pelo lado de fora, era a secretária.

        – O que está acontecendo aqui!! Ele agrediu o Sr? Perguntou ela ao patrão.

        O homem tentava se recompor do susto que levou com minha atitude desesperada. Me pus de pé na porta da sala quando um outro homem ainda não visto por mim apareceu de um outro cômodo. Eu disse para abrirem à porta ou eu iria até a delegacia mais próxima registrar uma queixa. Nesse momento o produtor se aproximou de mim com um olhar de desprezo e disse:

        – Bom, o que você acha que irá acontecer quando um preto igual a você chegar lá contando sua história? Eu vou até lá, irei dizer que você invadiu o meu apartamento em Ipanema pra me roubar, me agrediu e no fim quem irá preso certamente será você. Pode sair daqui seu imundo!!

        Senti um alívio muito grande ao me ver novamente na rua. Mas até chegar ao ponto de ônibus na Praça General Osório tremia bastante e olhava para os lados como se toda viatura da Polícia Militar fosse me abordar à qualquer momento. Minhas pernas estavam bambas, e me sentei no meio–fio em frente ao Restaurante Na Fazenda. A rua estava cheia naquele fim de tarde mas todos que ali estavam pareciam alheios ao meu choro. Cada um com suas vidas, cada qual com seus dilemas, abusos e tragédias particulares. Cada um com o seu abuso cotidiano.

“PÂNICO” NO RIO DE JANEIRO

Torquato Jardim

FOTO: Weeb

 

      Não faz muito tempo assisti a uma entrevista ao Pânico na Jovem Pan com o um jovem Deputado Federal do qual evitarei aqui mencionar o nome por acreditar piamente que ao fazer menção em quem não acreditamos ser competentes ou interessantes acabamos dando à estes mais crédito e visibilidade.

Not to much time ago I watched an interwiew for the Panic na Jovem Pan with a young politician of which I will not say the name for believing that when we talk about someone that we dont believe to be competent or interesting we unfortunatly give to them more credit and visibility.

      Uma entrevista nada surpreendente do ponto de vista ligado ao entretenimento. Um sem fim imbecilidades ditas pelo sempre pretencioso apresentador e seus assistentes unido ao montante de merdas como sempre dito pelo Deputado convidado que numa de suas falas disse ser totalmente contra um Ministro da Defesa que não seja um militar.

      A not surprising interview linked with the entertainment. A lot of imbecilities spoken by the pretentious presenter and their assistants united of quantity of shit that this politician always says, that in one of his lines said to be totally agaisnt one Minister of Defense who is not a Military.

      Levando em consideração o tipo de política feita no Brasil é evidente que até um gerente de puteiro fuleiro parece mais competente para administrar a casa do que muitos dos parlamentares que ali estão para com a administração pública. Contudo, com a exposição midiática da última declaração do Ministro da Defesa brasileiroTorquato Jardim sobre a polícia carioca eu entendo bem o motivo da fala do tal Deputado.

      Thinking about the type of Politic that is made in Brazil it is evident that even a manager of whorehouse seems more competent to manage the house than the most of the majority of the parliamentarians who are there for the public administration. However, with the public exposure of the last declaration of the brazilian Minister of Defense Torquato Jardim about the carioca police I really understand the reason for this politician said this.

       A opinião em relação à polícia no Rio de Janeiro e no Brasil parece ser algo consensual pós Tropa de Elite. O filme de José Padilha trouxe à tona uma realidade desconhecida por alguns, mas vivênciada por todos mediante os resultantes de articulações criminosas dentro de uma sociedade que muito embora sofra nas mãos de bandidos ainda prefere enaltecer o sadismo de um policial que por vezes estorque, violenta e se associa aos mesmos foras da lei por eles combatidos. O cinema é uma das mais antigas artes, e segundo Picasso “a arte é uma mentira que nos faz conhecer a verdade”. Talvez alguns recentes “criticos de arte” surgidos após o episódio do MAM de São Paulo não concordem, mas muitos cidadãos cariocas bem sabem que o teor do filme retrata uma realidade que está expressa na primeira notícia nefasta de crime que vocês lerem ou assistir na TV ainda hoje.

      The opinions about the police in Rio de Janeiro and in Brazil seems consensual after the movie “Tropa de Elite”. The José Padilha’s movie has brought some reality unknow for some people, but lived by many all with we think about the social results of criminals associations into a society that even have problems with bandits prefers to extol the sadism of a policeman that sometimes stingy, violent and associated of the same forces of law that they fight. The cinema is one of the oldest arts, and according to Picasso “the art is a lie that make us know the truth”. Maybe some recently “art critics” who came after the São Paulo MAM Exhibition disagree, but a lot of cariocas citizens know that this movie shows a reality that is expressed in the first bad news que you will read or watch in the TV today.

      Numa resenha sobre o “Ladrão de Black Tie” de E.W Horlung, falando sobre “tolerar ou admirar o crime” Orwell menciona que para a hipocrisia “se é para cultuar o errado melhor ser o culto à um policial do que um gângster,” e sendo assim, continuamos na mesma no que diz respeito a fazer o que é correto. Ora, existem até os que apoiam o tal Deputado entrevistado que pasmem: Defende o uso de armamento, o ódio e a proliferação de uma violência desenfreada à favor da vida num paradoxo tão chocante quanto o mesmo parlamentar se declarar Cristão.

      In a review about “The Black Tie Thief” of E.W Horlung, talking about “tolerating or admiring the crime” Orwell mentions that for the hypocrisy “is better to be a cult to the policeman than the gangster,” and in this case, we continue in the same in relation in to do the correct. So, we have people in favor of this politician that: Is in favor the use of weapons, the hatred and the proliferation of unrestrained violence in favor of life in a paradox as shocking as this politician declares himself a Christian.