HISTÓRIA DE ESQUINA

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FOTO: Elieser Borba       LOCAL: Leme – RJ

Acerca de duas semanas atrás saí para mais uma de minhas caminhadas noturnas. O destino era o de sempre: a Pedra do Leme. Ultimamente venho sentindo mais vontade de ver o mar que o de costume.

Around two weeks ago I go out for one of my night walks. The destination was the same as always: The Leme Stone. Recently I have been more eager to see the sea than usual.

Caminhei a passos lentos e despreocupado com o retorno…gostaria demais te ter alguém me esperando em casa, mas os dias tem passado rápido e em pouco tempo isso será uma feliz realidade. Fazia um frio cortante, e pela primeira vez em anos vivendo no eixo Leme – Copacabana observei o Caminho dos Pescadores, não sei se pelo frio ou pelo vento, sem pescadores.

I was walking slowly and carefree with my return…I would like have someone waiting for me at home, but the days pass so fast and in “NO MUCH TIME” this is will be some happy reality. Was so cold, and for the first time living years in Leme-Copacabana axis I saw the “Fishermen Way”, I don”t know why the reason was the cold weather or the wind, without fishermen.

Passei alguns minutos ali observando o mar revolto lavar as pedras, os casais namorando ao som de Cássia Eller, e a galera da maconha como sempre fumando seus baseados e tomei o rumo de volta. Não fui beirando a Orla para evitar as fortes rajadas de vento, e na esquina da Rua Anchieta com a Avenida Atlântica observei dois moradores de rua que tentavam acender um pequeno fogareiro à álcool num canteiro.

I spend some minutes there, looking the strong sea wash the stones, the couples dating listening Cássia Eller’s song, and the Majihuana groups smoking their cigarettes like always and I get my way back. I don’t go by the waters edge to avoid the strong wind, and in the Anchieta street with Atlântica Avenue corner I saw two homeless guys trying burn a little stove with alcohol in some flowerbed.

Um deles estava sentado ao lado do que parecia uma cozinha improvisada embaixo de uma árvore de “Pata de Vaca” enquanto o outro estava sentado impassível num banquinho de concreto ao lado. Me sentei próximo à ambos e iniciei a conversa:

One of them was sitting in the side of something like a improvised Kitchen under a “Pata de Vaca” tree, while the other one was sitting in a bench in the other side near of him. I sat next to them and start the conversation:

– Olá, boa noite!! Como vocês se chamam?
– Hello, good night!! Whats your name?

– Eu me chamo Humberto! Respondeu o homem próximo à mim no banco
– I’m Humberto! The man most near of me asnwer me back.

– E eu sou o Francisco! Disse o outro que manejava o fogo e ainda bancava uma de mestre cuca com um pacote de Macarrão numa das mãos e vários saches de sal desses que servem nos bares na outra.

– And I’m Francisco! The other one that works with the fire says and he was the “master cuca” with some pasta packet in one of his hands and a lot of little salt packets from restaurants in the other hand.

– O que vocês estão preparando? Perguntei
– what’s you both preparing? I ask them

– Nós tamo fazendo um macarrão “tipo macarronada” o Sr entende?
– We’re cooking a pasta, like “spaghetti”, do you understand?

– Sim. Eu cozinhei bastante em meus tempos de Marinha!! Respondi
– Off course. I cooked to much during my navy time! I said

– O Sr foi Marinheiro? Eu também fui…fui fuzileiro!! Disse Francisco.
– Do you was a sailor? Me too…I was Marine!! Francisco says

– Tu fala que foi fuzileiro e está dando bobeira com essa garrafa de álcool perto do fogo homi?! Nunca vi um camarada que se diz ex-militar ser abestalhado igual a você!! Repreendeu o outro sentado ao meu lado.

– You talk that was a Marine and you’re doing an idiot thing with this alcohol bottle near of the fire man?! I never saw a guy talk that worked at a military to be so stupid like you!! The other rebuked him!!

Percebi que Humberto estava muito limpo para o aspecto de um morador de rua comum. Perguntei-lhe a quanto tempo se conheciam:

I checked that Humberto was very clean to the appearance of an ordinary homelees. I ask him how long they meet each other:

– Eu conheci ele mais ou menos duas semanas. Eu não sou morador de rua não…quer dizer, eu estou aqui nessa situação, mas espero passar logo sabe? Eu morava no Morro do Tabajaras com a minha esposa e filhos, mas nós brigamos e eu saí de casa.

– I meet him two weeks ago more or less. I’m not a homeless…so, I’m here in this situation, but I hope it can pass soon you understand? I lived in Tabajara’s Favela with my wife and children, but we had some problems and I leave the house.

– E você Francisco? Perguntei ao cozinheiro-fuzileiro
– And you Francisco? I ask the cook

– Eu já tô pelas ruas faz 17 anos…sempre aqui por Copacabana e Leme sabe? Eu gosto…não consigo mais viver fora das ruas!!

– I’m in the streets for 17 years…always here in Copacabana and Leme you know? I like…I can’t leave out the streets!!

Notei neste momento que o Sr Humberto se sentiu desconfortável. Seus olhos ficaram marejados:
I checked at the moment that Humberto looks feeling uncomfortable. His eyes got weet:

– O Sr está bem? Perguntei-lhe.
– Are you fine? I asked him.

– Tô sim, mas não concordo com ele não!! Eu espero não ficar muito tempo nessa situação!! Tem muita gente ruim nessa vida sabe? Muita gente que maltrata quem vive na rua. Hoje mesmo eu estava na porta do mercado Zona Sul, esse aqui do Leme, e pedi pra uma Senhora me comprar alguma coisa para comer. Eu não tinha tomado o café da manhã e estava com fome…ela me pediu para aguardar. Ela demorou uns dez minutos no mercado, e quando saiu veio na minha direção e me entregou a sacola sem nem olhar na minha cara. Quando abri era um pacote de ração para cachorro. Eu só fiz sentar no chão e chorar…como pode ter gente assim nesse mundo?

– Yes, but I disagree about his opinion!! I hope I don’t stay in this situation for a long time!! Have a lot of bad people in the life you know? A lot of people who mistreat people that live in the streets. Today, for example I was in front of the Zona Sul Supermarket, this is in the Leme, and I asked for a ladie to buy something to eat. I had no breakfast and I was hungry…she asked me to wait. She spend teen minutes there, and when she back she comes in my diretion and gave me the plastic bag without look at my face. When I open it was a dog food package. I just sat on the floor and start to cry…how can such people exist in the world?

Não tive resposta para o homem, mas dei em ambos o melhor abraço que pude e lhes desejei uma boa refeição e uma ótima noite de sono!!

I had no asnwer to him, but gave the best hug that I have in they both and wish a nice meal and a really good night to them!!

LIBERTADORES SEM FLAMENGO, BRASIL SEM GOVERNO

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FOTO: Weeb

 

 

Quem agora lê estas linhas deve estar se perguntando o porque do Flamengo em meio à um relato totalmente voltado para a atual política nacional não é mesmo?

Pois bem, assim como o retrospecto das últimas participações do time vermelho e preto da Gávea na competição mais importante do continente Latino Americano ainda rende o que falar até os dias de hoje, assim caminha todo o embaraço da política brasileira até agora e podem esperar por muito mais.

Num país onde a carne tem sido misturada com papel picado e onde donos de frigoríficos delatam políticos dos mais altos graus como vendem os cortes de carne que comercializam até nos States,  a política nacional parece estar sendo passada num picador de papel…desses que são utilizados nos escritórios para dar fim à documentos confidenciais.

 

Irá parecer um pouco estranho, mas em tempos como os atuais só me vem a memória a época em que ainda era possível ver circular o Jornal “O POVO” pelas bancas de jornais cariocas. Quem se recorda deste períodico deve lembrar o quão sanguenolento este era com páginas recheadas dos mais escatológicos assassinatos que acometem a sociedade capitalista moderna. Decapitações, pessoas mortas amarradas com facas cravadas em seus corpos, carbonizações e todo tipo de atrocidade que deixavam até os fãs de “Sexta-Feira 13” achando o Jason um mero personagem de quinta categoria.

Nunca fui leitor do Jornal O POVO, limitando-me apenas a inevitavelmente ter visto o mesmo pendurado em diversas bancas quando ia comprar gibis e figurinhas. É impossível não lembrar que um pouco mais adulto e iniciando meu processo de conscientização acabei por descobrir que toda a manutenção de meu medo partiu deste jornal. Muito embora sempre tenha sido muito pobre, tinha medo de ser roubado, medo de ser atropelado, de ser esfolado vivo e tinha até medo de ser sequestrado – percebam aqui a inocência que as crianças carregam, pois como imaginar um sequestrador pedindo resgate à família de um pobre?

Enfim, mais tarde já adulto só passei a perceber que para a realização da manutenção deste medo, um medo que não é só meu mais sim de todos não é necessário só um jornal repleto de fotos sangrentas. Hoje percebo claramente que a maioria dos veículos de comunicação o realizam ao falar da economia, do desemprego, da falta de médicos, de hospitais, de escolas e de tantos outros bens e serviços dos quais necessitamos como um todo.

Contudo, e como cerejas à serem postas num bolo que carrego comigo há tempos no velho e mofado armário de minha esperança, é interessante pensar que alguns políticos antes intocáveis ou que se achavam como tal estão podendo vivenciar este medo. Como não se satisfazer ao imaginar que nosso “Presidente empolado” e cheio de trejeitos pode estar passando noites em claro? Como não ter quase um orgasmo ao imaginar o “bom moço de Minas” Aécio Neves comendo o mesmo macarrão com salsicha que Sérgio Cabral já está se deliciando há tempos no presídio de Bangu, que toda a empáfia de Rodrigo Maia seja reduzida ao mais longo choro de arrependimento e que enfim, todos os que nos roubam de forma descarada possam em vias de fato responder por seus atos espúrios?

E onde entra o Flamengo nessa história? Bom, se todos esses poderosos estão tendo esse declínio e o Flamengo mais uma vez foi desclassificado da Libertadores da América, porque ele não irá para a segunda divisão? E não vale responder “Porque time grande não caí”

Grande, é só o rombo que nós brasileiros temos nos cofres públicos…e só!!