DO PALÁCIO AO PRESÍDIO

 

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Um ditado bastante conhecido pelos antigos diz que “cachorro que já foi mordido por cobra tem medo de linguiça”. Basicamente isso significa que se aprendemos com nossos erros somos ou ao menos deveríamos ser capazes de não cometer as mesmas falhas novamente.

        Num trecho de meu novo livro intitulado “Enfim SUS – Diários de um Paciente num Hospital Público” menciono que:

O mais interessante em situações que colocam-nos nos mais difíceis patamares de vida é que numa hora ou outra mesmo os menos humildes acabam se rendendo à compreensão de que não passamos de algo insignificante, tal como um monte de estrume ambulante, e no momento das maiores dificuldades as histórias são sempre as mesmas. Quando o caminho “fica estreito”, pessoas evangélicas que não colocavam os pés na Igreja há anos mas frequentavam o pagode de domingo tão fielmente como num dia de santa ceia clamam o nome de Jesus e prometem até o que sabem não poderem cumprir para se safarem. A falta de grana ou de vergonha na cara e o excesso de tesão, por exemplo, fazem ex-maridos procurarem as ex-mulheres e vice-versa, e aquele que não era desejado nem pintado de ouro se traveste num salvador da pátria. O filho que saiu de casa brigado com os pais se achando o ser mais independente e emancipado do mundo retorna com o rabo entre as pernas quando a falta de um teto pesa mais que as pancadas que a vida lhe aplica, e mesmo os ateus quando escapam da morte não se constrangem em dar graças a Deus com mais ênfase do que qualquer do fiel mais batedor de ponto nas missas. Enfim, penso que para colocar qualquer pessoa dotada de altivez nos eixos não existe lugar mais completo na plenitude de suas agruras do que o leito de um hospital, principalmente quando este é um local público”.

       Isso posto, eu iria até mais além em relação à processos que são capazes de transformar almas, e não só hospitais são dotados de tal capacidade.

      Algumas vezes me pego pensando que eu não gostaria de morrer sem ver algumas coisas importantes acontecerem, tais como Observar o Brasil como um país de fato mais justo, solidário e em pé de igualdade, os EUA não sendo o poço de empáfia que é para o resto do mundo, uma América Latina mais unida, minha família e os poucos amigos que tenho felizes e porque não o Flamengo na segunda divisão!! Pois bem, dentre estes pequenos desejos que me motivam à vida, um deles era poder ver Sérgio Cabral, o Ex-Governador do Rio de Janeiro, atrás das grades. Concordo que assim como disse Michael Foucault, a detenção punitiva representada pela vida atrás das grades por si só é incapaz de ressocializar ou mesmo modificar o pensamento dos que recebem este tipo de sanção pelo fato de que suprimir a liberdade não torna pessoas melhores, no entanto, é impossível vez ou outra não imaginar o quão duro é para alguém que como o ex-Governador que se alimentava do melhor tendo como iguaria mais requintada uma simples quentinha de macarrão com salsicha, o que para ele deve ser bastante abjeto, assim como certamente as paredes gélidas de uma cela em pouco lembram toda a altivez e pompa do Palácio da Guanabara, ou a aprazível brisa de fim de tarde do Leblon com todas as amenidades que o elegante bairro da Zona Sul carioca pode oferecer aos que ali podem residir e onde o mesmo vivia até o momento de ser preso pela Polícia Federal.

     Não posso imaginar o que se passa na mente de Sérgio Cabral neste momento, ou mesmo se este irá passar por algum processo de mudança que lhe faça não só refletir acerca de seus feitos – ou malfeitos – no entanto, me recordo de uma frase que li há alguns anos atrás num muro na favela Cidade de Deus. A mesma dizia:

“PEDRO ALVARES CABRAL ENGANOU OS ÍNDIOS. SÉRGIO CABRAL ENGANA O CARIOCA”

        Sendo eu morador de Copacabana e ter ouvido ontem a sinfonia de panelas ressoar contra um segmento que não o PT e toda a modinha em que tal ato se tornou nos últimos meses apenas me faz refletir que a população em geral realmente está cansada de ser enganada por todos os “Cabrais” que ainda estão à solta.

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