HISTÓRIA DE ESQUINA

HistoriadeesquinaAcerca de três semana atrás não estava muito bem comigo mesmo. Era um fim de tarde de uma sexta-feira e estava sentindo uma angústia dessas que acomete muitos o tempo todo em muitos lugares pelo mundo. Sabia o que estava sentindo e tinha exata noção do que precisava naquele momento para dar um pouco mais de sentido à minha vida.

        Saí de casa e fui dar uma volta pela Urca. Olhar o mar me faz bem desde meu período Pré-Marinha do Brasil. A caminhada foi lenta, a passos do que algumas coisas tem ocorrido em minha vida ultimamente – devagar e demandando paciência para chorar de alegria ao final – em ao retomar o caminho de volta, com a noite caindo, parei para beber algo numa padaria. Paguei a bebida e levei a garrafa para fora do estabelecimento.

       Um morador de rua que estava sentado à um canto me observava com um olhar bastante distante mas ao mesmo tempo compenetrado. A barba longa e amarelada era um indicador de que a cultivava fazia tempos, talvez anos. No lugar de meias, o velho homem utilizava câmaras de ar de bicicleta e trapos envoltos em seus pés, formando uma estranha bota de farrapos, e seu cheiro era possível ser sentido ao longe!!

        Ele acenou para mim e me pediu um gole da bebida…me levantei e fui até ele:

        – Posso me sentar ao seu lado? Perguntei!!

        – Pode sim!! Disse o homem agora sorrindo e me estendendo a mão que prontamente apertei num cumprimento!!

        – Eu me chamo “H”, e o Sr? Perguntou-me.

        – Me chamo Elieser!!

        Completei o copo e lhe ofereci o mesmo que ele aceitou num aceno de cabeça. Fizemos um brinde e bebi no gargalo!!

        – O Sr trabalha com o que Sr Elieser?

        – Sou Assistente Social e escritor!

        O homem pareceu surpreso!!

        – E o que faz um escritor sentado conversando com um mendigo?

        Pensei um pouco antes de lhe responder:

        – Olha, eu não me acho diferente do Sr em absolutamente nada!! Somos seres humanos dotados das mesmas necessidades e o que muda são apenas nossas condições materiais nesse momento!!

        Ele assentiu com a cabeça e me perguntou:

        – O Sr tem problemas?

        Meus olhos ficaram marejados no ato, mas respondi com a voz embargada:

        – Sim, tenho muitos!! E era exatamente nisso que eu estava a pensar quando o Sr acenou para mim minutos atrás!! Mas problemas todos nós temos!! O Sr mesmo tem algum problema que é bastante sério não é mesmo?

        Ele respondeu em afirmativa!!

        – Qual seria seu maior problema neste momento? Perguntei-lhe

        – Olha Seu Elieser, o meu maior problema é ter integridade suficiente para poder encontrar o meu equilíbrio emocional!!

         Novamente cumprimentei o homem, desta vez com uma abraço que estava há muito guardado, não para ele, mas que foi o suficiente para me fazer encontrar o equilíbrio que precisava naquele dia!!

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