HISTÓRIA DE ESQUINA

        HistoriadeesquinaHá quase dois meses atrás parei para fazer algo que quase nunca me dou a realizar: Comer um fast food. Já eram mais de 1hs da manhã e estava em Copacabana com uma fome tão grande que parecia estar com a larica de 10 maconheiros da Pedra do Leme…e olhem que a galera desta localidade fuma mais baseado que políticos dão calote em cofres públicos.

        Parei numa das lanchonetes da rede Bob’s que se localiza na rua Figueiredo de Magalhães. No local estavam três atendentes que mal conseguiam sorrir de tão cansados, dois casais (um  dentro do estabelecimento e outro do lado de fora) e eu que tinha acabado de chegar por ali. Pedi algo para comer e me sentei ao lado do casal que estava no interior da lanchonete. Enquanto saboreava a batata frita observei um morador de rua adentrava o recinto com duas garrafas Pet vazias na mão. O homem aparentando ter 30 anos estava descalço, sem camisa e muito sujo, marcas indeléveis do flagelo urbano na vida dos que vivem à beira da morte. Ele pediu que lhe enchessem as garrafas, e pela prestatividade do atendente era perceptível que aquilo era uma prática comum e corriqueira.

        Novamente me distraí com a batata, algo que durou o tempo exato em que ouvi o fim da frase dita pelo morador de rua à uma mulher que passava por ele no momento em que este saiu de dentro do Bob’s. A frase completa foi quase inaudível, mas ainda pude ouvir sua colocação eufemística ao fim:

        – …..com todo o respeito hein!!!!

        A mulher que era muito bonita e trajava um desses uniformes de malhação do qual nunca sabemos se é para se sentir bem ou apenas mostrar seu potencial estacou e olhou para trás…fixamente nos olhos do homem:

        – Olha, você não precisa dizer isso não porque você não me faltou com o respeito em momento algum!! Na verdade, eu gostei muito do que você disse e ainda acho que você poderia dar aula de como se deve tratar uma mulher pra muito homem filho da puta que tem por aí!!

       O morador de rua que era negro ficou quase branco:

        E continuou a mulher:

        Ainda te digo mais, eu gostei tanto da forma que você me tratou que não tem como não te dizer isso, e olha que estou aqui te dando a maior moral. Geralmente quando acontece de ouvir palhaçada na rua eu mando logo para a puta que o pariu, mas você realmente me surpreendeu!!

        Ela chegou perto do homem, lhe alisou o rosto e deu um beijo que só não foi cinematográfico pelo fato do cinema ainda não ser tão poético como as situações cotidianas nos mostram. O semblante do morador de rua estava entre a incredulidade e o medo de levar uma bordoada, o rapaz olhou para mim e disse:

        – Você viu cara? Ninguém vai acreditar em mim!!!

 

 

 

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