DIREITOS HUMANOS E O DIREITO DE NÃO SE CALAR

charge-macaco

IMAGEM: Weeb

Há tempos estudei sociologia e antropologia no ciclo básico de minha formação na PUC-RIO. Muito embora não fosse tão a favor de eletivas obrigatórias sempre me identifiquei com as disciplinas e achei uma boa ideia levar adiante sem mais entraves. Na segunda conheci algo interessante denominado “grupos viciantes”. De maneira bastante sucinta, tais grupos são “constituídos por indivíduos que de alguma forma são rotulados”. É bastante ilustrativo o exemplo dos músicos de casa noturna, ou que trabalham em boates. Muitos dos que com estes se relacionam os taxam de promíscuos, dados a lascívia dentre outras coisas, o que por sua vez faz com que estas pessoas se sintam incompreendidas. No fundo, a tristeza que acomete alguns destes profissionais é entender que são taxados como tal por pessoas que sequer sabem como se dá a dinâmica de suas atividades laborativas.

        Esta introdução é só para a associação e interpretação dos que se derem a ler toda a nota de forma crítica, mas a motivação para estas linhas foi outra. Num papo informal num grupo de rede social com uns amigos a conversa como é em geral guinou para algo que está na mídia e na boca do povo “Violência”….o caso bola da vez foi a morte de Ana Beatriz Pereira, de 17 anos no Rio de Janeiro no último sábado. Um dos meus camaradas perguntou ou “se perguntou” se a família da vítima que foi morta por um adolescente estaria sendo assistida pelos “Direitos Humanos”, pergunta esta que respondi prontamente dizendo que “infelizmente à nossa mídia só interessa a manutenção de nosso medo, sendo esta a única audiência capaz de lhes render lucro”. Meu amigo novamente se perguntou o que um Defensor de Direitos Humanos faria se “pudesse optar pelo fuzilamento de uma família de classe média alta” ou “um grupo de delinquentes menores que esfaqueiam e roubam” e que segundo ele “gente do nosso agrado“. E aí?! Pedi então para ele perguntar a mesma coisa à mim!!

        No momento comecei a responder sendo que por circunstâncias adversas à ocasião preferi escrever a resposta nesta postagem talvez de forma “mais educativa” eu diria!! Certamente que pela minha crença nunca optaria pelo fuzilamento de quaisquer seres humanos e ponto final, o que me fez pensar que meu amigo apesar de muito querido parece ainda não me conhecer tanto à ponto achar que eu optaria pelo fuzilamento de alguém. Se uma família inteira comete crimes, algo que os caracteriza dentro do ordenamento jurídico vigente como sendo uma “quadrilha” a punição deve (ou deveria) ser proporcional à gravidade do crime, assim como deve ser aplicada à outros criminosos sejam estes menores de dezoito anos ou aos maiores de dezoito, assaltantes, “Tucanos”, “Petistas” e outras tantas novas vertentes que o crime vem ganhando nos jargões populares.

        Sou defensor de Direitos Humanos em todas suas estirpes, um ativista, e talvez por isso me considere sendo parte de um grupo viciante, assim como os músicos de casas noturnas, usuários de crack, prostitutas, cafetões, funkeiros, pagodeiros, surfistas, maconheiros, travestis, muambeiros, evangélicos ou cachaceiros, “petistas” e até banqueiros…..policiais, barraqueiros, sectários e bicheiros. Contudo, uma certeza tenho, não defendo maloqueiro, não sou a favor do crime mas não concordo que um Estado que ainda mata inocentes atirando num bebê que estava num automóvel suspeito seja capaz de conscientizar alguém que comete um crime ao arrastar um menino num carro (caso João Hélio) ou seus concidadãos a serem mais coerentes em seus atos.

        No fim das contas acabo por acreditar que assim como em todos os grupos viciantes a consternação nasce da certeza do outro não se dar a entender alguns processos apenas por não fazer parte de outras vivências, e por vezes de fato não fazer questão de se imbuir nestas. No fundo são concepções e todas elas são compreensíveis muito embora quase nunca aceitáveis. O aceitar aqui é quase como a tentativa de adaptação de uma peça que não é compatível com determinado maquinário àquela engenharia específica, e caso adaptada  tudo pode acontecer. Nem todos aceitam outras posições ou simplesmente tem as suas tão cristalizadas que para se adaptar é como ouvi de um professor na PUC ao referir-se a minha turma que consistia 90% de bolsistas ao dizer que “Tentar colocar outras ideias para gente como nós era a mesma coisa que teimar em instalar um ar-condicionado num fusca!!

 

 

 

 

 

 

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