ARTISTA DE POMPA E ARTISTA DE PONTA

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O saudoso Paulo Freire dizia que “a conscientização é um processo crítico e objetivo de conhecimento da realidade, e que cada um deve ter um comprometimento pessoal para que essa realidade possa ser modificada!!” Li tal frase há 11 anos no Pré-Vestibular Comunitário Wellington Ricardo, em Oswaldo Cruz, e nunca mais esqueci. Neste local, passei a entender o sentido do “agir em prol do TODO social” e a metamorfosear minha consciência. O antigo Prefeito do Rio (Cesar Maia) excluiu o Projeto e outros como este das Escolas Públicas onde funcionavam dizendo na época ser estes espaços de militância e aprendizado locais onde “pessoas comercializavam drogas e defecavam no chão!!” Eduardo Paes, atual Prefeito de atuação demagógica e controversa pautou muito de sua campanha em enfatizar que os Prés-Comunitários retornariam para as Escolas Públicas Municipais….algo nunca cumprido!!

Percebo que a lógica embutida em atitudes como as que Cesar Maia tomou e que Eduardo Paes corroborou seguem na mesma via pelos que discriminam a Escola Pública e que inconscientemente ou não a colocam como um espaço marginalizado. Em seus estudos sobre as instituições austeras no livro “Vigiar e Punir,” Michael Foucault faz menção em ser a Escola, assim como muitos conventos e Hospitais um local onde sua própria arquitetura lembra os moldes de uma prisão. Sendo o cárcere um local sem atrativos e as Escolas brasileiras em geral as representações mais claras do que não traz os jovens e crianças para quererem ali estar presentes, penso que o mesmo Governo que tenta “reorganizar estruturalmente” o ensino é o principal legitimador desta lógica perversa, assim como alguns responsáveis se enganam em achar que a melhor forma de educação está no ensino privado, deixando os donos destes estabelecimentos mais ricos e seus filhos mais alienados do que se estivessem em casa assistindo porcarias na TV.

Assim como é comum ouvir que os universitários são “um bando de maconheiros esquerdistas” e que “só estão na universidade para ter um lugar para fumar maconha em paz” como ouvi um primo dizer, é de praxe escutar que “estudante de  escola pública não quer nada!!” Dois adendos importantes: O que acontece atualmente na UERJ é um movimento feito em seu fulcro pelos ditos “maconheiros” em prol de todos, assim como não penso ser algo estúpido que estudantes jovens deixem de lado os celulares, os vídeo-games e outras coisas para ocuparem as escolas de São Paulo de forma consciente e embaixo de porrada “DE UM ESTADO” que deveria lhes dar alento. Uma coincidência maior é termos alguns indivíduos da classe artística que por vezes são mal-falados dando apoio às ocupações de São Paulo. Em um momento histórico onde significativa parcela da classe artística só quer a pompa outros como Tico Santa Cruz, Maria Gadu, Criolo ou mesmo Paola Carosella (Jurada do Master Chef) se colocam fazendo o que a maior parte das pessoas públicas deveriam fazer: Colocarem-se ao lado de um povo que é o principal agente que impulsiona as engrenagens que movem o Brasil!!! Alguém aí tem dúvida de qual posicionamento deve seguir para termos de fato uma sociedade mais digna e igualitária? Um dos primeiros passos é entender que quem muda nossas realidades somos nós, juntos e acreditando que isso é sim algo possível, viável e alcançável!!!

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