DO LAZER AO “BLASÉ”

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FOTO: Elieser Borba LOCAL: Rua Ronald de Carvalho – Copacabana/RJ

        Em tempos difíceis como os que nós brasileiros temos vivido está cada dia mais complicado abordar alguns temas. Se você diz que é socialista te chamam de comunista sem nem mesmo saber diferenciar um “modo operandi” do outro, ou mesmo se acredita numa mudança para melhor para o país, ainda que paulatina mas numa gradação crescente te chamam de pessimista quando não de louco, pois segundo alguns “o Brasil não tem jeito.”

        Ora, se tem jeito ou não isso é algo doravante inatingível aos não-videntes e desprovidos de uma máquina do tempo que permita verificar o que será e voltar para contar, e muito embora isso fosse viável o que seria possível fazer para de fato chegar vivo à um futuro incrível ou mesmo alterar uma vida cada vez mais miserável para melhor? É viável uma melhora onde um Cunha ladrão das piores estirpes e canalha até a medula dos ossos seja a “panacéia” contra uma Presidente da República cada vez mais pressionada devido a má gestão passada de seu Partido?

        Existe possibilidade de melhora onde se pagam IPVAs exorbitantes para quebrar a suspensão de veículos em ruas e estradas absolutamente podres e onde mentes que parecem mais deterioradas que estas vias atropelam pedestres e ciclistas e se defendem dizendo que “eles poderiam ter tido mais atenção!!” Há sentido existirem policiais que acreditas “serem donos de bairros” e agentes de limpeza e ainda os que os paguem para ter a tal “segurança” que o Estado deveria proporcionar à todos sem o auxílio de armas de fogo? Onde acreditar numa melhora a curto prazo quando a própria polícia por vezes tem que andar despida para não ser caçada e onde os caçados por vezes não são delinquentes e nem policiais…..são celulares, bicicletas, bolsas, carteiras e joias.

        O texto apesar de denotar pessimismo é realista se pensarmos que ao vivermos numa sociedade onde incomum é naturalizado e por vezes banalizado – e para alguns isso é um fato consumado – legitimamos cada um destas atitudes equivocadas que nos fazem retroceder tal como o automóvel do policial militar Neandro Santos ao se defrontar com uma blitz de bandidos há uma semana atrás ou mesmo nos fazendo achar comum uns poucos terem tanto quando outros sobrevivem com quase nada sendo serventes dos primeiros. No célebre trabalho “As Veias Abertas da América Latina,” Eduardo Galeano faz menção ao fato de que “O desenvolvimento é uma viagem com muito mais náufragos do que navegantes.” Digo sem medo de parecer piegas que enquanto as mercadorias custarem mais caro que a vida essa turbulenta viagem ainda irá gerar perdas inestimáveis.

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