O BANDIDO BOM E O BANDIDO MORTO

            playboy-jose-junior

        Faz muito tempo que li pela primeira a polêmica frase “Bandido Bom é Bandido Morto”. Este dizer, que é um clichê na boca do povo, ou pelo menos na boca de alguns segmentos, e que foi criado pelo Ex-deputado estadual e delegado de polícia Sivuca foi lido por mim no muro da Estação de Trem de Madureira na época em que ainda era um adolescente. Hoje extravasei a casa dos 30 anos, o que significa que minha adolescência se deu num período longínquo, mas tal frase ainda permanece em muitas bocas e eu até poderia dizer que assim como doenças venéreas em puteiros a mesma vai sendo difundida a esmo com a ajuda da maravilhosa utilidade marginal da internet e suas redes sociais.

        Contudo existe uma questão que refuta os dito acima sobre os Puteiros: As zonas estão muito longe de serem considerados locais onde as doenças sexualmente transmissíveis se propagam. Certa vez, parei para conversar com uma bela moça na Praia do Leme. Ela é uma pessoa que eu sempre cumprimentava com gestos e um bom dia pelas ruas do bairro, mas naquele dia me disse ser prostituta. Por ocasião ela me perguntou o porquê de eu sempre trata-la com educação e cumprimentá-la na rua como faço com toda pessoa sendo que ela fazia o que fazia para viver, e minha resposta foi apenas uma:

        – Eu trato você como trato qualquer pessoa!! Não sabia que era prostituta e agora poderei te tratar ainda melhor porque lhe conheço pessoalmente. Para mim seu trabalho é um trabalho como outro qualquer.

        A moça disse em resposta:

        – Meu trabalho não é normal. Se uma moça qualquer faz um preventivo por ano eu tenho que fazer dois. Se uma moça qualquer faz um exame HIV por ano eu tenho que fazer seis, então pra mim meu trabalho e minha vida não são normais, mas ainda assim eu tenho tempo para chorar por um homem que eu amo!!

        Disse isso e partiu chorando. A vejo sempre e nunca me esqueço a forma que se abriu para mim. Este exemplo ilustra que assim como esta moça muitas prostitutas, mulheres ou transexuais, se cuidam por demais, e as doenças podem se propagar em outros ambientes, da mesma forma que nem sempre os bandidos são pessoas que como o famoso personagem de Ramón Valdés o “Racha Cuca” vestem uma roupa surrada de cowboi e tem sua pistola à mostra na cintura.

        No último fim de semana um homem que era dito ser o mais procurado pela justiça do Rio de Janeiro foi morto no Subúrbio da cidade. Não tenho opinião formada sobre ele ou mesmo sobre a ação de seus algozes, mas uma de suas falas me intriga por demais no vídeo que ilustra esta matéria (Assistir no link ao fim do texto). Num determinado momento da gravação o delinquente é perguntado sobre sua possível vida tranquila ser condicionada a pagar suas pendências com a justiça e em resposta ele menciona ter sim pendências com a justiça, mas o que só chega à ele é que “eles” não querem prendê-lo. Os dizeres do bandido, hoje falecido, pode ser interpretado de várias formas, contudo eu prefiro imaginar que alguém como ele pagava muito bem à alguns para não ser preso ou mesmo morto e se alguém age contra a lei recebendo propina em detrimento da realização de seu trabalho o que estes realizam se não cometer um crime? Ora, os que cometem crimes são bandidos!! Mas bandidos bons não morrem!!

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