Guerra às drogas ou Hipocrisia? sua consciência é você quem faz!!!

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Faz muito tempo que não sou um adepto de ter a TV como utensílio de necessidade primordial em meu lar. Para não dizer que não tenho o aparelho que se só não é mais querido elos cariocas do que o ar-condicionado em tempos de calor, tenho uma das famosas “Semp Toshiba de 10 polegadas”, aqueles aparelhos branquinhos que ornamentavam as cozinhas de alguns brasileiros que não conseguiam desgrudar da telinha nem no momento de preparar as suas refeições na década de oitenta. A TV em questão quase nunca é ligada e só se encontra por lá muito mais pelo valor “retrô” que tem do que pelos motivos convencionais.

Deixando de lado minha preferência pessoal e estilo de vida, algo me deixou intrigado no dia de ontem. Ainda pela manhã passei na oficina do Henrique que além de meu mecânico é um grande camarada. Estávamos realizando um pequeno ajuste na buzina de minha motocicleta enquanto na TV da oficina que estava ligada no noticiário da manhã a repórter abordava um assunto pra lá de emblemático. O tema da reportagem tratava-se do Programa “De Braços Abertos”, da Prefeitura de São Paulo. Tal programa, que tem pouco mais de um ano, foi implementado não de forma ocasional na região da Luz (um dos maiores redutos de usuários/dependentes de crack) da cidade. O intuito da iniciativa que no início deste ano atendia cerca de quase quinhentos beneficiários segundo dados da secretaria executiva de comunicação do Governo Municipal, busca não só dirimir a quantidade de dependentes químicos na localidade que durante anos a fio foi pejorativamente conhecida como “cracolândia”, mas sua atuação estruturada junto à frentes de trabalho organizadas fomenta a inclusão através de iniciativas como: Zeladoria remunerada (R$ 15,00 por dia), três alimentações diárias e vagas em hotéis do entorno.

Por vezes nos colocamos no papel de desqualificar os Governos em geral e da política no sentido Lato da palavra, mas essa iniciativa (que já era conhecida por mim sendo assistente social) é uma das mais interessantes que tenho tido acesso nos últimos anos, independentemente das estratégias que venham a motivá-la, mas ainda assim como nem todo processo agrada à todos uma significativa parcela da população local não tem digerido muito bem essa plataforma. Moradores das cercanias dos hotéis não tem se agradado da presença dos usuários destes serviços e muito embora dados polícia militar comprovem a queda de 80% dou roubos a veículos e 33% de redução dos furtos a transeuntes alguns ainda se limitam a questionar a estética ou mesmo a legitimidade dos que podem ou não serem pessoas que podem estar convivendo no local.

Segundo dados da Secretaria de Assistência Social, ainda no início deste ano pelo menos 490 pessoas atendidas pelo programa conseguiram reaver uma série de documentos ou mesmo tê-los em mãos pela primeira vez, o que é um índice indicador da eficácia desta iniciativa que muito embora demande de melhores propostas no âmbito clínico para atendimento das demandas mais ligadas à dependência da droga não pode vir a ser desconsiderada pelos simples caprichos de determinados segmentos. Ainda segundo fontes da FIOCRUZ, uma significativa parcela dos usuários de crack não são considerados vulneráveis pelo uso constante da substância ilícita, mas por viverem situações de vulnerabilidade social anteriores a seus processos de dependência química e agravos de suas situações em outros âmbitos.

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