“Sementes do Mal”, “Di Menores” e Afins

menor-infrator

Em cada uma de minhas postagens em meu blog tento ser claro e minimamente conciso e tendencioso ao abordar algumas temáticas. Não sei se faço isso para ser mais sucinto aos que penso ser interessante atingir e levar ao processo de reflexão, ou se realizo este movimento como exercício de escrita e reflexão para mim mesmo como escritor e defensor de alguns ideais que penso serem fundamentais no processo de consolidação de uma sociedade mais justa, mas a grande verdade é que como o camarada Márcio Corrêa questionou num dado momento “Já paraste pra pensar em quantos livros ou publicações tu lê ao ano?” No fim das contas sei que faço o que faço como válvula de escape e uma forma de militância…poucos se dão a ler blogs independentes, livros independentes e etc para dar ouvido à uma mídia televisiva que em pouco acrescenta na elucidação de nossos dilemas sociais cotidianos.

Noutro dia desses me deparei com uma postagem no Facebook (sempre o Facebook) que pode ter sido encarada por alguns como desabafo, para outros como desafeto ou ainda um imenso dissabor. E eu fico com a terceira opção. Está provado que nesta rede social cada um diz o que pensa independente da escatologia explícita ou implícita em cada fala, no entanto, a postagem que li colocava um policial militar falando sobre um amigo também policial que estava entre a vida e a morte após ser baleado num confronto no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. Até aí, nada demais numa fala que em muito fica impressa a ótica de um agente da lei que tem sua vida pautada em riscos e num descaso doravante equiparado ao mesmo descaso que a população em geral sofre (principalmente os mais desvalidos), sendo que a violência, ao menos a meu ver, ainda se encontra como a coisa mais democrática para o brasileiro atingindo a todos e em todas as camadas, uns mais e outros menos.

A grande questão é que no calor do desabafo o policial deixa o que coloco aqui como uma pérola já conhecida no meio reacionário:

Enquanto isso, intelectuais e policiólogos discutem e condenam a prisão de um menor de 6 anos, pego em flagrante roubando. O mesmo desembargador que outrora, alegando não oferecerem risco a sociedade, concedeu liberdade a 10 traficantes presos com fuzis ao invadirem um hotel em São Conrado, agora pede punição aos policias que prenderam a semente do mal de 6 anos que a tempos já germina no crime. Nos dias de hoje, ele é apenas um menor infrator vítima do sistema. Errados são os policiais que o prenderam.

Esta tudo errado cara, não é possível que ninguém perceba isso. Estamos cansados da politicagem desse Governo covarde, com nojo dessa Mídia tendenciosa e dessa Sociedade de merda que não merece o nosso suor, muito menos o nosso sangue.

A frase dita pelo agente e que em nada difere da que o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame disse em 2008 ao afirmar que “os criminosos do Rio trazem a cultura da violência dos ventres de suas mães” endossa a máxima de que é muito preocupante pensarmos o tipo de cidadão que estamos formando e quais nossas responsabilidades para com as crianças e jovens. Qualquer pessoa que se dá a estudar sociologia de forma séria no ciclo básico de universidades bem sabe que a cultura não é algo que o ser humano carrega no gene e sim uma construção social que se dá ao longo das vivências de cada um dentro de meios sócio-ambientais. Me lembro que quando atuei como no Projeto Bairro Educador dentro escolas públicas no Rio de Janeiro, por exemplo, por vezes vislumbrei professores tratarem estudantes com xingamentos ou descaso porque segundo os mesmos eles “não tinham mais jeito porque a mãe era craqueira e o pai estava preso.” Quantas vezes presenciei agressões físicas por parte de educadores a alguns estudantes e quantas pessoas eu ainda vejo se desresponsabilizando de orientar crianças e jovens mesmo sem ser responsáveis por eles quando temos uma Constituição que em muitos pontos enfoca que é “dever da sociedade, da comunidade e só depois da família e do poder público zelar por estes segmentos?

Me questiono cotidianamente sobre o que alguns policias pensam ser ao se formarem e ir para as ruas. Será que eles se acham super-heróis e que são a panacéia para todas as mazelas sociais? Será que não pensam que como diz o som da banda carioca “O Rappa” e isso é um fato “Também morre quem atira?” Será que a facilidade de ingresso no CFAP através de um concurso mediano é um motivador a fazer com que muitos jovens, por vezes oriundos de favelas e subúrbios cariocas ou mesmo de outros Estados ingressem nesta instituição? Ou ainda, será que não se lembram de suas origens ao abordar um cidadão dentro do seu lar e pedir a nota fiscal da TV, do aparelho de som entre outros objetos? Porque isso ainda é recorrente em muitas favelas cariocas e poucos o sabem!!

Além de todos estes questionamentos é impossível aqui não fazer menção ao fato de que a cada dia penso e repenso onde iremos parar se não formos capazes de entender que em cada minúcia de nossos atos somos capazes de fazer o melhor ou mesmo o pior para o todo e que os resultantes societários disso permanecem. Ainda não tenho filhos e isso se encontra muito longe de meus projetos pessoais por diversos fatores. Contudo, o principal deles é que só eu sendo preto, pobre e suburbano sei o que é ser uma criança e um jovem negro no Rio de Janeiro e no Brasil….só eu e outros tantos por aí!!!

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