Cinquenta Tons de Cinza: Ler, Assistir ou Ignorar?

nova-50-tons-cinza-livros      Escrever esta matéria é algo difícil para mim, principalmente por ter a crença de que seja complicado demais quaisquer pessoas falarem ou discorrerem acerca de algo do qual não detém o mínimo de conhecimento específico ou casual. Me lembro de uma determinada situação pela qual passei há anos atrás que me custou o rompimento de uma relação de amizade com uma moça.

Ela falava sobre conhecer demais seu namorado e eu disse que isso era impossível. Ela por sua vez reafirmou que conhecia ele demais, e como justificativa disse que o mesmo dormia na casa dela ou ela na dele de quintas à domingos e que quando casassem seria algo só para formalizar o relacionamento de ambos. Eu que não dei o braço à torcer afirmei que ainda não concordava dizendo para ela que era impossível alguém que convive num meio entre os dois extremos que são o namoro e o noivado conhecer tão bem sobre ambas as pontas desta linha por vezes tênue. Me lembro ter dito à ela inclusive que o fato dele estar na casa dela quase que cotidianamente era um dos agravantes para tal, sendo que ele jamais iria tratar ela mal estando no mesmo ambiente que seus pais e passível de ser repreendido por eles caso uma briga feia viesse a acontecer. Resumindo mais a história da minha amizade desfeita, a moça de fato não passou nem um ano casada com o tal namorado muito conhecido por ela.

Ilustrei a postagem com esta história apenas pelo fato de que o assunto é o livro/filme “Cinquenta Tons de Cinza.” Até agora não li o livro ou mesmo assisti ao filme e o pouco contato que tive com a obra foi certa vez que estive no MAM (museu de arte moderna do Rio de Janeiro) e conversei com uma das moças que trabalhava por ali e enquanto ela atendia uma pessoa dei uma leve folheada no livro. Além de ser escritor sou um leitor assíduo, daqueles que sempre leva um livro na bolsa mesmo sabendo que talvez nem vá ler ou me preparando para uma possível fila ou engarrafamento, mas ainda assim não são todos os livros que me chamam para a leitura, principalmente os mais midiáticos ou que se tornam uma espécie de modinha. Abri duas exceções na vida para obras que considero “comerciais” e só: “Harry Potter” e “Twilight” ou “Crepúsculo”.

A história do primeiro é interessante, pois eu já tinha o primeiro livro num armário no quartel da Marinha onde servia e determinada vez tendo sido preso à bordo por mal comportamento era o único livro que podia levar para a cela. Gostei tanto que pedi um amigo que me trouxesse o segundo e acabei por ler todos. Com a série “Crepúsculo” a coisa de seu de uma outra forma, pois fui levar minha irmã mais nova ao cinema para assistir ao primeiro filme sendo que ela não podia ir sozinha. Gostei tanto que comprei os livros. Confesso que ambas sagas não me decepcionaram, e o curioso é que ao assistir um trailer do filme “Cinquenta Tons de Cinza” me interessei pelo livro. Ainda não sei se o fato da coisa ligada a imagem e movimento embutida nos filmes me gerou este sentimento tão adverso à alguém que segue a linha que procuro seguir como leitor ou mesmo como escritor e imbuído em discussões acerca de algumas linearidades que o mercado editorial tem assumido e que atrapalham por demais alguns escritores, principalmente os que são independentes como é o meu caso.

Estava a ler um pequeno artigo da escritora Carey Purcell para o Huffington Post (http://www.huffingtonpost.com/carey-purcell/fifty-shades-of-grey-feminism_b_2395932.html) onde a mesma coloca suas inquietações em relação à “Cinquenta Tons de Cinza” e o impacto social do livro mediante cada interpretação colocada para cada leitor. O fato é que trata-se apenas de um livro e certamente as compreensões sobre o que está contido naquelas páginas só é algo cabível aos que leem e seus entendimentos serão diretamente pautados em relação à suas vivências, tradicionalismos e etc. Se o livro é mal escrito como alguns dizem “não sei”, se o ponto forte do mesmo é um romance ou se ele denota aspectos de um machismo combatido ou por vezes aceito ou acatado “não faço ideia” e não creio que tão cedo irei ler o livro, mas tenho tencionado assistir ao filme, muito embora uma das muitas frases do grande George Orwell persista em minha mente “Caso pessoas não possam escrever bem elas não podem pensar bem, e caso elas não possam pensar bem outros irão fazer elas pensarem por eles.”

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