Ainda sendo poucos fazemos muito!!!

ensino_superior

Estava eu a ouvir o programa radiofônico “A Hora do Brasil” no último dia17 de dezembro e me surpreendi com uma notícia que havia sido informada pela locutora. Segundo a profissional, dados do IBGE mostram que “nos últimos nove anos houve um aumento de sete por cento no número de estudantes que ingressaram no ensino público superior.” Sendo eu um ex-estudante e ex-coordenador de Pré-Vestibular Comunitário e posteriormente me considerar um militante político de movimentos sociais pró-educação e direitos humanos, confesso que foi impossível ouvir tal notícia e não sentir um quê de nostalgia em meu interior.

Me lembro como se fosse hoje, e acho por demais importante não me esquecer de como era ter que subir as ladeiras que davam acesso à Associação de Moradores de Oswaldo Cruz, Bairro onde até os dias atuais funciona o Pré-Vestibular Comunitário Professor Wellington Ricardo. Não deixo de me lembrar em instante algum de muitas coisas que aconteceram por ali, das coisas boas e das que não eram tão interessantes, mas que ao mesmo tempo me fizeram crescer demais em altruímo. Lembro de cada estudante que desmaiava em sala de aula pelo fato de estar com fome, bem como nunca irei me esquecer de nossos rateios de grana para que todos pudessem compartilhar uma tijela de sopa com torradas no boteco em frente e enfim, é impossível não ter boas lembranças mesmo dentro das muitas adversidades, como toda lei da compensação que rege o mundo impõe àqueles que mais bom senso para entender que muito embora tenhamos problemas são estes a mola propulsora para reflexão e posterior reação.

Faz quase uma semana que em grupo de rede social onde pessoas de minha turma na Universidade estavam a parabenizar um camarada, o último de nossa turma a se formar e que segundo um dos componentes deste grupo “acaba por fechar um ciclo de nossa turma.” Antes de ser estudante de serviço social este rapaz foi aluno do curso de filosofia na mesma universidade e após ingressou no outro curso que só agora veio a finalizar. Em minhas contas muito rasas acredito que ele tenha levado quase dez anos dentro da universidade, entre “trancos e barrancos.” Muito embora os dados citados pela rádio sejam importantíssimos do ponto de vista da nossa realidade ainda existente no campo da educação e da educação superior, a história do rapaz de minha turma ainda é algo comum aos poucos que decidem se colocar a ocupar o espaço acadêmico, principalmente nas universidades públicas brasileiras.

Me lembro que a cerca de 9 anos atrás li uma matéria de um dos poucos jornais sérios ainda existentes onde se dizia que “Eram apenas um por cento da população que estava no ensino superior, levando em conta as universidades públicas e particulares.” Isso sem dúvida nos coloca os avanços pelos quais conseguimos alcançar numa luta que vem desde o fim da década de oitenta e que tem como sustentáculo não a busca por uma “divisão entre pobres e ricos” dentro das universidades, algo que segmentos reacionários e sectários teimam em afirmar, mas é sim a luta por uma sociedade mais justa e igualitária, e minimamente mais equiparada no que tange ao acesso às oportunidades.

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