DIA 25 DE AGOSTO – DIA DO FEIRANTE

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FOTO: Melissa Isadora LOCAL: Travessa Maria José

      Tenho uma relação muito boa com a Rua, as esquinas, as praças em geral e todos os personagens que compõe o mundo mágico dos logradouros públicos. Os que leram meu livro “O Morador de Ipanema e outros Contos Cariocas” com certeza entenderão o que quero dizer!! Sou fascinado por tudo que a rua tem, assim como a mesma absolutamente me atrai em suas minúcias. Seja na matraca do vendedor de casquinha (algo quase que extinto nos tempos de hoje) ou mesmo na roda de cerveja onde o assunto que reina é saber se o Botafogo consegue chegar junto no campeonato ou mesmo se a qualidade da maconha da favela mais perto é da boa.

      Toda essa introdução é para afirmar meu amor pelo que a rua tem e o que ela tem me dado, pois assim como hoje eu escrevo a rua até mesmo meu primeiro trabalho foi a ela quem me proporcionou. Mais ou menos em meados de 1994 começei a trabalhar na feira da Rua Carlos Xavier, exatamente em frente ao número 636, endereço onde eu residia com minha família no bairro de Madureira. Naquela época, todas as quintas-feiras o mercado de rua começava exatamente em nossa  porta com poucas banquinhas de tecido e temperos e se extendia até a altura da Rua Capitão Macieira, numa imensa conurbação de gêneros e espécies de tudo que se possa imaginar, desde o delicioso pastel “Ploft” do “Professor” e os vistosos ovos da Dona Fátima até as peixarias (minhas preferidas) e a banca de livros e revista do “Homem das Cavernas”, assim apelidado por mim e pelos outros moleques devido seu visual totalmente desleixado. Cada uma destas barraquinhas teve relevância em minha vida: O professor do pastel nos dava as sobras do dia, A Dona Fátima sempre me ajudava com os cálculos relacionados aos ovos e a banca de revistas inclusive foi a responsável por me iniciar no mundo da leitura e também no da “sacanagem”.

O início dos meus trabalhos por ali se deram com a venda das frutas que eu colhia no próprio quintal onde morava. Não sou muito capitalista e naquela época nem tinha noção do que o ferrenho modo de produção significava, no entanto, eu sabia que o jambo era uma fruta das mais procuradas e que a árvore que tinhamos em nosso terreno tinha um grande potencial para que eu auferisse lucro nas vendas da saborosa frutinha vermelha, e era isso que eu fazia. O mesmo se dava com o cajá manga, e com as próprias mangas, e a cada vez que uma fruta saia de época eu investia noutra. Quando não me utilizava das vendas de frutas conseguia um pouco de grana nos famigerados “carretos” para as madames, que eram disputados com os meninos do Morro do Fubá ou mesmo tomando conta dos carros, e dessa forma saciava meus pequenos luxos personificados em meus livros e doces e algumas tardes de fliperama no antigo Tem Tudo Shopping.

Aos curiosos sobre esta que é uma das muitas feirinhas suburbanas, ela continua por ali. Apesar de não se dar na rua Carlos Xavier ela hoje ocorre ainda às quintas-feiras em uma das transversais, a Travessa Maria José. Alguns dos feirantes, daqueles feirantes que em muito contribuíram na minha vida ainda se encontram por ali, vendendo os mesmos gêneros e tornando a feira de quinta-feira viva como nunca, e deixo hoje minhas felicitações aos mesmos junto à saudade do “meu lugar”.

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