DIA 21 de AGOSTO – DIA NACIONAL DA HABITAÇÃO

SMH

      Já faz um tempo em que fui acometido por uma das maiores inquietações que tive na vida. Exatamente há cinco anos atrás estava eu realizando estágio como assistente social no Departamento de Qualidade de Vida de Furnas Centrais Elétricas, em Botafogo. Todos bem sabem o intuito de se realizar um estágio para um estudante, ou seja, a importância que tal prática pedagógica significa na formação de vida e profissional  dos mesmos. No entanto, ali do décimo quarto andar e logo atrás da mesa onde me alocava podia observar não só o Morro Dona Marta, mas a aglomerado de casas de luxo à sua esquerda.

      Na primeira vez em que observei aquela paisagem conurbada mas ao mesmo tempo tão separatista foi impossível não estacar. Eu havia acabado de sair de um campo de estágio na GRPU (Gerência de Patrimônio da União) e já estava bastante habituado com trabalhos ligados à regularização e relocação fundiária em áreas de assentamentos informais no espaço urbano carioca. Em geral, os atendidos pela instituição eram bastante pobres e em estado de total vulnerabilidade social, assim como os moradores das partes mais altas de Favelas como o Dona Marta, e com todas a mudanças no espaço urbano do Rio de Janeiro propostas pelo início da gestão do falacioso Prefeito Eduardo Paes, foi impossível para mim olhar aquelas mansões vizinhas do colorido mas socialmente contrastante Dona Marta e não pensar no “porque” das mesmas não receberem as pressões que a Favela de Botafogo, a Providência, a Roçinha e muitas outras estavam e ainda continuam recebendo até os dias de hoje.

      A declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu décimo sétimo artigo deixa bem claro que além de “toda pessoa dever ter direito à propriedade, só ou em sociedade com outros, as mesmas não serão arbitrariamente privadas de suas propriedades.” Isso posto, mediante ao arbitrio e autoritarismo evidente na atual gestão pública tanto no Estado do Rio de Janeiro quanto em seu Município, como não pensarmos no fato de que não só a Declaração do Direitos Humanos bem como a Constituição Federal, tão enaltecida por algumas destas contraditórias figuras públicas, não parecem estar sendo deixadas de lado pelas mesmas? E porque o que se aplica num loteamento informal ou ocupação é pouco aplicado ou praticamente nulo frente à um condomínio de luxo que se erga na Gávea, São Conrado e etc?

      Neste momento histórico em que propagandas e mais propagandas políticas já começam a fazer parte de nossas vidas e a rondar nosso pensamento acerca do futuro da cidade e do Brasil, deixo aqui não a proposta do “não-voto” ou ainda da possibilidade de abster-se com o pensamento de num futuro próximo poder dizer “eu não participei disso”, mas que pensemos com serenidade e seriedade nos que possam nos representar honrando e respeitando o Direito a uma Habitação digna e com qualidade para todos.

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