Diário de Hospital – 22 de Fevereiro de 2014 (Vigésimo Oitavo dia de Internação).

Dia bastante arrastado!! Passei a manhã inteira na companhia do Sr. “J L” e do Sr. “J M”, ambos pacientes chegaram ontem à noite na enfermaria 509. Hoje o Ar Condicionado amanheceu sem funcionar.

O primeiro é morador de Santa Cruz, e acidentou-se durante o serviço. O mesmo é ajudante de caminhão numa empresa madeireira,  e ao parar para fazer uma entrega ao lado de uma ponte disse ter tropeçado em um pedaço de vergalhão que saia do chão. Ele tentou amassar o pedaço de ferro, que por estar muito deteriorado quebrou na primeira tentativa, levando o homem a cair da ponte dentro de um rio, que para seu azar estava raso demais. O Sr. “J L” quebrou o fêmur e o pé esquerdo.

Já o Sr “J M” tem 75 anos e uma séria fratura no femur da perna esquerda. Seu acidente foi oriundo ao fato de um atropelamento bastante atípico. Segundo “L”, filho e acompanhante do teimoso Sr, seu pai é assinante do Jornal O Globo faz alguns anos, no entanto, o mesmo nunca espera o entregador deixar as notícias na portaria do prédio. Segundo seu filho, acometido pela insônia, o Sr “J M” sempre acorda entre às 3:30hs e 4:00hs da manhã para ir até o depósito de Jornal que é perto da residência da família em pilares, e ali ele apanha o mesmo e permanece até o raiar do dia conversando com os funcionários do local. Entretanto, na madrugada de hoje ele parece não ter tido tanta sorte ao dobrar a esquina e se deparar com um grupo muito grande de jovens que pareciam fugir de alguém e que provavelmente estavam saindo de alguma festa ou baile. Os jovens pareceram nem enxergar o Sr que, apesar de ter seus um metro e noventa e três e ser bastante forte para sua idade foi ao solo tendo fraturado o osso que agora o coloca como mais um participante desta aventura escatológica no Hospital Salgado Filho.

Fui visitado por uma amiga que me trouxe uma samba canção, biscoitos, uma garrafa de laranjada e um esparadrapo anti-alérgico ao meu pedido. Não consigo mais utilizar os esparadrapos comuns, e os mesmos me causam bolhas horríveis não só na região onde são aplicados, mas nas proximidades também. Um outro dia achei estranho uma enfermeira trazer um destes anti-alérgicos para aplicar em minha pele e perguntei se poderia ter novamente uma outra vez, no entanto, a profissional disse que os mesmos haviam se acabado. Segundo ela, o Hospital parece ter um bom estoque, mas que alguns colegas enfermeiros e até mesmo alguns médicos infelizmente levam para utilização em outros locais.

Hoje fiquei em off do mundo exterior. Nem a rede social (Facebook) e tampouco o aplicativo Whatsapp funcionavam, ao que parecia uma pane conjunta dos mesmo e bastante justificada, sendo que, os rumores atuais mencionam a compra do segundo pelo Facebook. Achei bastante engraçado perceber o desespero de alguns via emails e sms sem saber o que fazer, e mais parecia uma síndrome de abstinência coletiva. Muito pertinente foi comentário do Tico Santa Cruz em seu Facebook ao falar algo como “As redes sociais são como um crack do mundo virtual”, nenhuma mentira de certo!!!

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