Diário de Hospital – 20 de Fevereiro de 2014 (Vigésimo Sexto dia de Internação).

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Definitivamente não passei um vigésimo sexto dia tão bem por aqui. Observar a evolução lenta do quadro de melhora do ferimento que dependo sarar para poder operar e ver que o mesmo parece estar estacionado é algo péssimo. Na verdade parece ser lento demais no que diz respeito a minha recuperação e por mais paciência que eu tenha no dia de hoje realmente foi bem difícil segurar a aflição, principalmente depois de ver o homem que chegou obtém com abstinência ao álcool vir a óbito praticamente ao meu lado. Mais um que vi morrer.

Saber que ao adentrarmos a porta de um Hospital, seja este público ou privado e que talvez não iremos sair do mesmo com vida é algo que acredito mexer muito com as pessoas. Tudo pode acontecer, desde uma queda brusca de pressão ou um aumento súbito da mesma até uma infecção hospitalar que piore nosso quadro. Eu mesmo estou desde que cheguei na enfermaria do quinto andar ao lado de um banheiro sem tranca e que permanece a maior parte do tempo com as portas abertas. Os poucos que podem se deslocar até o sanitário não conseguem fechar a porta por suas limitações físicas, e preciso pedir constantemente que os enfermeiros fechem a porta quando estes saem de lá.

Quando tenho meu ferimento aberto e sem as bandagens fico muito temerário de ser acometido por uma larva de mosca ou mesmo por germes oriundos do banheiro. Hoje o Sr “J” recebeu alta hospitalar. O mesmo transparecia tranquilidade, e muito embora tivesse o femur operado e a idade avançada parecia estar apto a deixar o local pulando de felicidades. Sua filha e acompanhante me trouxe balas sete belo que pedi, e seu  filho de 18 anos que é um estudante de enfermagem me ajudou demais no dia de hoje, que dentre as coisas interessantes, contou ainda com a ausência do médico que nem sinal de vida deu por aqui e a displicência em realizarem meu curativo, que só foi feito as 16hs da tarde, um dia bem atípico mediante as últimas semanas nas quais o médico passava assiduamente para nos avaliar pelas manhãs. Possivelmente pelo fato de agora sermos somente eu e mais um no quarto ele fique ainda mais descansado em estar passando por aqui…isso me causa náuseas e uma vontade de andar e ir embora que quase me capacita a realizar tal feito.

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