Diário de Hospital – 18 de Fevereiro de 2014 (Vigésimo quarto dia de Internação)

      Um dia tranquilo até demais, e nem teria como ser agitado por aqui. Amanheci com a idéia de tornar público meu diário via rede social. A prática de preencher o mesmo para mim já é algo costumas e os que bem me conhecem sabem disso, mas o intuito desta vez é único: Compartilhar com os que estão de fora e talvez não tenham passado por isso um pouco do que é a vivência cotidiana como internado num hospital público carioca.

       A madrugada foi bem difícil. Além do homem que chegou baleado ainda estar emitindo seus gemidos de dor que mais pareciam uma sinfonia de agonia que ressoavam pela ala inteira, o Sr. “J” acabou caindo da cama mais ou menos às 2 hs da manhã. Eu estava a cochilar com a lanterna acesa o livro de Orwell sobre minha barriga quando ouvi seus gritos de socorro. 

      O que é muito estranho é o fato de que mesmo com a perna quebrada como me encontro o primeiro ímpeto foi o de me levantar para ir até o mesmo e ajudá-lo. A ala inteira já gritava por socorro e a técnica de enfermagem só chegou quase dez minutos depois. 

      Nunca havia visto aquela moça por ali, sendo que me encontro a quase um mês internado e ainda assim foi impossível não me irritar com a mesma. Achei sua conduta totalmente equivocada ao dizer para um Sr de 75 anos com o fêmur partido para “levantar sozinho” sob a alegação infundada (pois ela ali não estava e só chegou dez minutos depois do ocorrido) de que ele havia “Se levantado sozinho”. Discuti bastante com a mulher que acabou por desaparecer sob os olhares de outras duas enfermeiras e um policial que só ficava a observar a cena. Durante o dia a filha e acompanhante do idoso tentou apurar o ocorrido e ao interpelar seu pai descobriu que o mesmo havia realmente tentado descer da cama sozinho.

      Antes do horário do almoço chegou à enfermaria um rapaz de nome “F”. O mesmo teve uma fratura parecida com a minha e também foi decorrente de um acidente envolvendo motocicleta. Durante à noite tive a melhor notícia em dias, pois minha amiga Gilza que tem sido um dos anjos que nos tem ajudado pós-acidente me informou que ao chegar em nossa casa para alimentar o gato o mesmo ali estava.

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