Diário de Hospital – 28 de Janeiro de 2014 (Quarto dia de internação).

Caminhamos para mais um dia na enfermaria do quarto andar e ainda nem sinal de um médico ou alguém para abrir minha tala. A quantidade de pessoas que tem nos ajudado tem me impressionado e os amigos de Amy principalmente tem tido um papel primordial nesta história. As meninas tem se mobilizado e feito com que outros também nos ajudem de todas as formas que vão desde apoio moral até trazer lenços umedecidos, travesseiros e me trouxeram até um pequeno ventilador que funciona como lanterna quando nescessário.

Tenho me achado muito estressado, principalmente durante as manhãs. Tenho um sentimento muito estranho de acordar achando que tudo isso é um sonho e por vezes penso que estou acordando em casa, no entanto ao perceber que ainda me encontro aqui o choro é inevitável. Procuro esvair minhas lágrimas sem me deixar ser percebido, mas nem sei se isso é possível ou não. Um dos fatores que com certeza tem colaborado para meus desânimos matutinos  encontre-se no fato de não ter autonomia nem para ter um banho sem ter que pedir ajuda às enfermeiras que em significativa parcela parecem nem ter muito estímulo para realizar tal feito. Além de tudo isso tenho permanecido na mesma posição desde que cheguei no hospital, algo difícil do ponto de vista da comodidade. Permaneço com a barriga para cima o tempo todo, e um dos maiores problemas que tenho enfrentado é não conseguir dormir, sendo que tenho o hábito de dormir de bruços ou de lado. As costas doem muito e meus calcanhares também, além da perna que não para de doer mesmo estando estável. Tenho plena coinsciência de que não devo permanecer na mesma posição por muito tempo, mas preciso pensar em uma alternativa para afastar de mim o mal das escaras.

Nosso novo companheiro de enfermaria chama-se “V”. Ele é um Senhor que aparenta ter entre quarenta e cinco e cinquenta anos e trabalha como gari na cidade do Rio de Janeiro. Desde que chegou durante a madrugada de ontém tem sofrido bastante com dores que parecem não dar-lhe trégua. Ele tem um dos braços imobilizados com um gesso além de ter outro gesso na perna direita e um fixador externo na perna esquerda. Tem também muitas escoreações nas costas e no braço que não possuí imobilização, basicamente só mexe a cabeça sem o auxílio de terceiros, mas está bastante lúcido e feliz por estar vivo e ainda irá aguardar por mais uma cirurgia na perna direita, a qual só descobriram a fratura após a operação do outro membro. O mesmo verbalizou para nós ter sido  vítima de um atropelamento perto do Jacarezinho. Ele estava saindo de uma festa bastante alcoolizado e disse ter a tido a intenção de tomar uma van para casa. Afirmou ter visto o veículo se aproximar ao fazer sinal, mas depois só se lembra de ter acordado aqui no hospital. O Sr. “J1” não perdeu tempo em dizer que o fato dele estar bêbado, o fez pensar que era o Supermam e que poderia segurar o veículo com as próprias mãos, o que obviamente não deu certo e culminou em sua estadia junto nós no Salgado Filho. A piada gerou bastante risadas entre nós e mesmo o Sr. “V” não deixou de dar uma sonora gargalhada.

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