Diário de Hospital – 26 de Janeiro de 2014 (Segundo dia de Internação).

      Não deu para pregar os olhos e nem dava para saber se havia luz do sol do outro lado das paredes ou mesmo se havia a Rua. Não tinha força nem para levantar o pescoço, mas fiz isto com muita dificuldade e percebi que a acompanhante do Sr ao meu lado, a mesma que me deu de comer no dia anterior, estava a dormir sentada em uma cadeira de ferro com a cabeça pendendo para baixo.

      A tal sala amarela continuava fria demais e com a mesma luz gélida caracteristica dos hospitais em geral e ao olhar para os lados pude ver pelo menos mais doze pessoas que se amontoavam no apertado lugar onde eu agora me encontrava. Cada um parecia ter um tipo de problema diferente e parece que o setor funciona como um lugar de triagem. O Sr no leito logo atrás de mim parecia ser portador de problemas neurológicos que o faziam gritar praticamente o tempo todo e que foi um dos agravantes de minha insônia. Um rapaz em frente a mim do lado oposto da sala parecia nada sofrer, mas aguardava para ir ao setor responsável pelo buco-maxilo, pois estava com a mandíbula fraturada. Os outros que pude observar em sua maioria eram senhores bastante idosos e debilitados, que sequer tinham força para se limparem após realizarem suas necessidades fisiológicas, o odor em alguns momentos era insuportável frente a demora para serem higienizados pelos profissionais que pareciam ser poucos para o quantitativo de pessoas ali aglomeradas. 

      Ainda sentia muitas dores e unido a isso a fome e a vontade de urinar. Ter de espantar as moscas que ficavam a pousar em meu corpo também era algo angustiante e chato, pois odeio estes insetos e para meu azar o ambiente hospitalar parece ser uma área de lazer para os mesmos. Me forneceram uma espécie de recipiente de plástico com um orifício para depositar minha urina. Nunca havia utilizado tal utensílio mas senti um imenso alívio em não ter mais minha bexiga doendo. O dia se arrastou e minha refeição só veio com o almoço, que até achei muito bom pelo que sempre ouvi falar da comida fornecida nos hospitais.

      Ao fim da tarde me surpreendi com a notícia de que seria transferido para uma enfermaria da ortopedia onde poderia ter um tratamento mais específico para meu trauma e subi junto a um outro rapaz de nome “W” que estava em um canto próximo a mim com uma tala na perna muito parecida com a minha. Chegamos à tal enfermaria onde haviam mais dois homens às 18hs e logo peguei no sono apesar do leito estar com defeito e a cabeceira da cama permanecer suspensa em um ângulo de quase 90 graus.   

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s